NASA estuda formas de tornar os “carros voadores” mais silenciosos e aceitáveis para as cidades

A NASA está a direcionar os seus esforços de investigação para resolver um dos maiores obstáculos à implementação prática dos “carros voadores” — tecnicamente conhecidos como veículos elétricos de descolagem e aterragem vertical (eVTOLs) — nas grandes metrópoles: o ruído. Através de estudos avançados na área da acústica e do comportamento humano, a agência espacial […]

14 de julho de 2026

A NASA está a direcionar os seus esforços de investigação para resolver um dos maiores obstáculos à implementação prática dos “carros voadores” — tecnicamente conhecidos como veículos elétricos de descolagem e aterragem vertical (eVTOLs) — nas grandes metrópoles: o ruído. Através de estudos avançados na área da acústica e do comportamento humano, a agência espacial norte-americana procura garantir que esta nova era da Mobilidade Aérea Avançada (AAM) não transforme os céus urbanos num pesadelo de poluição sonora.

O grande desafio reside na diferença de engenharia entre estes novos veículos e os helicópteros tradicionais. Enquanto um helicóptero comum produz um som de batida de baixa frequência bastante previsível, os eVTOLs utilizam múltiplos rotores pequenos que giram a velocidades diferentes. Esta configuração gera uma assinatura acústica complexa, muitas vezes descrita como um zumbido agudo de alta frequência, semelhante ao ruído de um enxame de insetos gigante. Sem intervenção, a operação contínua de centenas destes veículos sobre áreas residenciais seria insustentável para a saúde mental das populações.

Para resolver este problema, a NASA está a recorrer à psicoacústica — a vertente da ciência que estuda a forma como o cérebro humano perceciona e reage psicologicamente a diferentes estímulos sonoros. Em laboratórios especializados e simuladores de áudio de alta fidelidade, os investigadores expõem voluntários a diferentes simulações de ruído de rotores para mapear quais os níveis de frequência, ritmo e intensidade que causam maior irritação, stress ou desconforto no dia a dia.

Munida destes dados biológicos e psicológicos, a agência espacial está a colaborar diretamente com os fabricantes do setor privado para redesenhar a aerodinâmica das hélices. O objetivo é desenvolver geometrias de lâminas e padrões de rotação que não só reduzam os decibéis emitidos, mas que também alterem a própria qualidade do som. A meta é fazer com que o ruído gerado pelos “carros voadores” seja tão suave que consiga misturar-se e camuflar-se de forma natural no barulho de fundo já existente nas cidades (como o trânsito de automóveis terrestres e o vento), tornando a sua circulação aérea praticamente impercetível para quem está no solo.

Fonte: Olhar Digital




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