Portugal aposta em cápsulas reutilizáveis e planeia entrar na nova corrida espacial europeia

Portugal está a posicionar-se de forma estratégica para se transformar numa grande potência no setor aeroespacial europeu. Com uma forte aposta no desenvolvimento de capital humano através de engenheiros qualificados formados pelas suas universidades, o país conta atualmente com cerca de duas mil pessoas altamente qualificadas a trabalhar em 80 empresas do ecossistema espacial — […]

4 de junho de 2026

Portugal está a posicionar-se de forma estratégica para se transformar numa grande potência no setor aeroespacial europeu. Com uma forte aposta no desenvolvimento de capital humano através de engenheiros qualificados formados pelas suas universidades, o país conta atualmente com cerca de duas mil pessoas altamente qualificadas a trabalhar em 80 empresas do ecossistema espacial — um mercado que gerou 200 milhões de euros em receitas no ano transato. O grande trunfo português para consolidar esta ambição é o arquipélago dos Açores, mais especificamente a pacata ilha de Santa Maria, onde está a ser edificado um porto espacial (o Atlantic Spaceport Consortium – ASC) vocacionado para o lançamento economicamente viável de foguetões de pequeno porte e satélites comerciais de menor escala.

Uma das principais frentes desta nova estratégia centra-se no acolhimento de naves e cápsulas de transporte espacial reutilizáveis, aproveitando a localização desabitada e isolada dos Açores em pleno Oceano Atlântico para garantir aterragens seguras. No segundo semestre de 2026, as autoridades portuguesas preveem acolher o primeiro pouso na água em território da União Europeia, referente à cápsula Phoenix 2.1, desenvolvida pela empresa alemã Atmos Space Cargo. Além disso, a ilha de Santa Maria prepara-se para receber, em 2028, a aterragem da nave de carga europeia Space Rider com o auxílio de paraquedas gigantes numa antiga pista construída na Segunda Guerra Mundial, estando também programado o lançamento de um satélite sul-coreano a partir dali em 2030.

Em paralelo com a infraestrutura de lançamento, Portugal foca-se na descentralização e na “democratização” do espaço através do fabrico próprio de satélites de pequena escala altamente eficientes, cujos custos variam entre 20 milhões e 30 milhões de euros. Três grandes centros de produção estão a ser desenvolvidos no país: o consórcio CEiiA no Porto (com planos de quadruplicar a capacidade para construir satélites de alta resolução), a Open Cosmos em Coimbra, e uma unidade em Lisboa focada em cooperação militar. A Agência Espacial Portuguesa projeta colocar em órbita até 30 satélites até ao ano de 2030, muitos em parceria com a Espanha, direcionados para missões comerciais, monitorização dos oceanos, observação da Terra e combate a incêndios florestais.

Fonte: g1




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