
A operadora de táxi-aéreo Revo, controlada pelo grupo português OHI, anunciou planos para iniciar as primeiras operações comerciais com eVTOLs (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, popularmente chamadas de “carros voadores”) no Brasil a partir do fim de 2027. A companhia, que já atua no mercado de transporte executivo com voos de helicóptero em São Paulo, firmou um contrato estratégico para a aquisição de até 50 aeronaves desenvolvidas pela Eve Air Mobility, a subsidiária especializada da Embraer.
O foco inicial do plano de rotas da Revo é otimizar o transporte de passageiros que buscam fugir do trânsito saturado da capital paulista e demandam maior previsibilidade de tempo. A empresa pretende conectar o centro expandido de São Paulo diretamente ao Aeroporto Internacional de Guarulhos — trajeto que atualmente já lidera a demanda de voos de helicóptero da operadora. Além disso, estão projetadas rotas interligando grandes centros financeiros e empresariais da região metropolitana, tais como a Avenida Paulista, a Avenida Brigadeiro Faria Lima, a Vila Olímpia/Berrini e o bairro planejado de Alphaville. Viagens interurbanas para cidades próximas, como Campinas e São José dos Campos, também estão em avaliação para etapas posteriores.
A viabilização do projeto depende do processo de homologação das aeronaves (modelo Eve 100), cujos ensaios técnicos de engenharia avançam de forma positiva. De acordo com estimativas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), espera-se que a certificação oficial seja obtida entre o final de 2027 e o início de 2028. Apesar do otimismo do setor e de marcos internacionais semelhantes — como os voos experimentais da Joby Aviation em Nova York —, especialistas em urbanismo e infraestrutura alertam que o novo modal deverá operar de forma reduzida e voltada a um nicho premium no curto prazo, uma vez que as cidades ainda enfrentam desafios estruturais significativos para a adaptação de helipontos e para a construção dos futuros vertiportos.
Fonte: Revista Oeste

