
O YouTube anunciou uma atualização importante na sua política de transparência, expandindo os seus mecanismos de detecção para sinalizar de forma automatizada vídeos criados por inteligência artificial (IA). Até então, a plataforma dependia estritamente da declaração voluntária inserida pelo próprio criador do conteúdo. Com a nova diretriz, o serviço passará a aplicar “rótulos automáticos” em vídeos fotorrealistas que apresentem um uso significativo de IA. O aviso passará a ser exibido em locais de grande destaque nos conteúdos considerados realistas, ao passo que produções explicitamente animadas, irrealistas ou que contenham apenas edições leves manterão o rótulo apenas no campo de descrição, com menor visibilidade.
De acordo com o YouTube, a aplicação do rótulo não trará penalizações ao canal, ou seja, não irá reduzir o alcance e a recomendação do algoritmo, nem impedirá a monetização do material. Contudo, a empresa fez um alerta rigoroso: reserva-se o direito de intervir e aplicar sanções diretamente contra as contas dos utilizadores que omitirem reiteradamente o uso de IA em conteúdos fotorrealistas. Embora o sistema faça o escaneamento automatizado, os utilizadores terão a permissão de ajustar a classificação atribuída pela plataforma. No entanto, o rótulo será fixado de maneira permanente e sem possibilidade de alteração caso o vídeo tenha sido gerado através das ferramentas nativas do próprio YouTube ou se o arquivo original contiver metadados com o padrão internacional C2PA.
No contexto brasileiro, a medida adotada pela gigante de tecnologia alinha-se diretamente com as exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relativas ao combate à desinformação e à regulação da propaganda eleitoral. O tribunal instituiu a obrigatoriedade de rotulagem para conteúdos sintéticos e incluiu a responsabilização solidária das redes sociais caso materiais considerados de risco ou deepfakes não sejam devidamente mitigados. Para cumprir as legislações locais e internacionais, o YouTube está a integrar novos sinais internos ao seu ecossistema. Adicionalmente, a empresa anunciou a expansão gradual de uma ferramenta global voltada para maiores de 18 anos que permite detetar e mapear rostos que tenham sido potencialmente clonados ou modificados por IA, garantindo que os indivíduos afetados solicitem a remoção direta do material.
Fonte: Revista Oeste

