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Brasil intensifica o uso de reconhecimento facial e tecnologias avançadas no combate ao crime

A segurança pública no Brasil está a passar por uma transformação profunda com a adopção acelerada de tecnologias de ponta, com destaque para os sistemas de reconhecimento facial. Segundo uma reportagem da revista VEJA, todos os estados brasileiros e o Distrito Federal já utilizam ou estão a implementar ferramentas equipadas com inteligência artificial capazes de […]

25 de maio de 2026

A segurança pública no Brasil está a passar por uma transformação profunda com a adopção acelerada de tecnologias de ponta, com destaque para os sistemas de reconhecimento facial. Segundo uma reportagem da revista VEJA, todos os estados brasileiros e o Distrito Federal já utilizam ou estão a implementar ferramentas equipadas com inteligência artificial capazes de identificar rostos em multidões. Os resultados são expressivos: nos últimos dois anos, mais de 116 mil câmaras foram responsáveis pela captura de cerca de 11 mil foragidos da justiça. Exemplos recentes, como a detenção de um criminoso procurado durante um concerto na Praia de Copacabana, demonstram a eficácia destas lentes inteligentes, que conseguem cruzar dados com o Banco Nacional de Medidas Penais em fracções de segundo, alertando as autoridades para a presença de indivíduos com mandados de prisão em aberto.

Para além do reconhecimento facial, outras inovações estão a ganhar terreno nas forças policiais brasileiras. Em estados como Goiás e Espírito Santo, a “análise preditiva” permite antecipar a incidência de delitos, enquanto em Santa Catarina, drones equipados com IA realizam patrulhas ágeis e guardas municipais testam óculos inteligentes com comando de voz. Há também avanços no uso de aparelhos de raio X que permitem visualizar através de paredes em situações de resgate de reféns, além de sistemas de monitorização em tempo real com tornozeleiras electrónicas para combater o feminicídio. Estas ferramentas não só aumentam a eficiência das prisões, como também ajudam a reduzir a sensação de insegurança da população, que coloca a violência no topo das suas principais preocupações actuais.

Contudo, a expansão destas tecnologias traz desafios significativos, especialmente no que toca à precisão e à regulação ética. Especialistas alertam para a ocorrência de “falsos-positivos”, que podem levar à detenção injusta de cidadãos inocentes devido a falhas nos algoritmos, que tendem a ser menos precisos na identificação de mulheres e pessoas negras. Além disso, a precariedade de alguns bancos de dados oficiais pode gerar erros de homónimos. O debate sobre o marco legal da inteligência artificial no Congresso Nacional procura estabelecer limites para evitar abusos e garantir que a vigilância tecnológica não comprometa os direitos fundamentais. O consenso, porém, é que a tecnologia, quando bem gerida e integrada a uma polícia investigativa eficiente, é uma arma indispensável contra o crime organizado e a violência urbana no país.

Fonte: VEJA




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