ALECE

Projeto Black Marble da NASA revela o avanço e a complexidade do brilho noturno da Terra

A iluminação artificial das nossas cidades está a transformar a face visível do planeta durante a noite, um fenómeno que se tornou global e cada vez mais complexo. Através do projeto Black Marble (Mármore Negro), a NASA utiliza sensores de satélite ultra-sensíveis para mapear a luz emitida pela Terra na escuridão. Os dados mais recentes […]

29 de maio de 2026

A iluminação artificial das nossas cidades está a transformar a face visível do planeta durante a noite, um fenómeno que se tornou global e cada vez mais complexo. Através do projeto Black Marble (Mármore Negro), a NASA utiliza sensores de satélite ultra-sensíveis para mapear a luz emitida pela Terra na escuridão. Os dados mais recentes revelam que o nosso planeta está, de forma geral, mais brilhante à noite, mas o fenómeno está longe de ser uniforme. Enquanto algumas regiões em rápido desenvolvimento económico registam um aumento dramático na emissão de luz, outras áreas assoladas por crises humanitárias, guerras ou colapsos energéticos mostram uma redução drástica no seu brilho noturno.

O grande diferencial do Black Marble reside na capacidade da IA e dos algoritmos da NASA em limpar interferências naturais da atmosfera — como o reflexo da Lua, auroras polares, incêndios florestais e a nebulosidade das nuvens. Isto permite aos cientistas isolar com precisão cirúrgica apenas a luz gerada pela atividade humana, proveniente de habitações, postes de iluminação pública, autoestradas e complexos industriais. Esse nível de detalhe transforma o mapa numa ferramenta socioeconómica crucial: a variação do brilho noturno serve para monitorizar em tempo real o crescimento urbano, detetar a expansão de redes elétricas em áreas rurais isoladas e até medir o impacto imediato de desastres naturais na infraestrutura de um país.

Contudo, este “brilho” crescente traz consigo um alerta ambiental severo relacionado com a poluição luminosa. A transição global para lâmpadas LED, embora eficiente em termos energéticos, aumentou a emissão de luz azul e branca brilhante, que se espalha mais facilmente pela atmosfera. Cientistas alertam que este excesso de claridade noturna está a obliterar a visão do céu estrelado para grande parte da humanidade e a desregular o ciclo circadiano (o relógio biológico) de humanos e animais, afetando a biodiversidade. O projeto da NASA surge assim como um espelho tecnológico que não só documenta o progresso material da civilização, mas também os seus impactos ecológicos invisíveis durante o dia.

Fonte: Olhar Digital




QUEM LEU ISSO TAMBÉM LEU:







COMENTE: