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3I/Atlas: estudos mostram que cometa se formou em sistema muito diferente do nosso

O terceiro objeto interestelar já detetado revela-se uma “cápsula do tempo” de um sistema planetário extremamente frio e antigo

6 de maio de 2026

O cometa 3I/Atlas, o terceiro objeto vindo de fora do nosso Sistema Solar a ser identificado por astrónomos, está a fornecer pistas valiosas sobre a diversidade do cosmos. Estudos publicados recentemente, baseados em observações detalhadas da sua trajetória de saída, indicam que este corpo celeste não só teve origem noutra estrela, como nasceu num ambiente com condições químicas e térmicas drasticamente distintas das que moldaram o Sol e os seus planetas. Estima-se que o cometa possa ter cerca de 11 mil milhões de anos, tornando-o um dos visitantes mais antigos alguma vez estudados.

Uma “impressão digital” de frio extremo

A chave para decifrar a origem do 3I/Atlas reside na análise da sua água. Investigadores da Universidade de Michigan detetaram uma concentração invulgarmente elevada de deutério (também conhecido como “hidrogénio pesado”) na composição do cometa. Esta assinatura química sugere que o objeto se formou num ambiente de frio extremo, com temperaturas inferiores a -243°C (30 Kelvin). Para efeito de comparação, este ambiente é muito mais gélido do que as regiões onde os cometas do nosso próprio Sistema Solar foram criados, indicando que o 3I/Atlas nasceu numa zona de baixíssima radiação e densidade de metais.

Trajetória de fuga e o papel de Júpiter

Atualmente, o 3I/Atlas está a iniciar a sua despedida definitiva do nosso sistema. Recentemente, o cometa passou pela esfera de influência gravitacional de Júpiter, um evento que alterou profundamente a sua rota. Este “puxão” gravitacional acelerou o objeto para uma órbita hiperbólica, garantindo que ele seja arremessado para o espaço interestelar sem qualquer possibilidade de retorno. Os cálculos indicam que o cometa segue agora em direção à constelação de Gêmeos, uma viagem que deverá durar cerca de um século até atingir as profundezas do espaço profundo.

O valor científico dos visitantes interestelares

A passagem do 3I/Atlas é considerada um evento raro e precioso para a astronomia moderna. Por ser apenas o terceiro objeto do género confirmado — depois do ‘Oumuamua e do cometa Borisov —, ele funciona como uma amostra natural de outro sistema planetário. As erupções de gases e poeira observadas enquanto o cometa se afastava do Sol permitiram aos cientistas “espreitar” gelos que permaneceram intocados durante biliões de anos. Estes dados ajudam a reconstruir a história da evolução da Via Láctea e confirmam que os processos de formação de mundos noutras partes da galáxia podem seguir caminhos evolutivos surpreendentemente diversos.

Fonte: Notícias R7




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